Porque acreditamos nos valores
democráticos e na endogeneização das soluções dos nossos problemas; Porque
acreditamos que é com a prática da verdade, o confronto de ideias e o debate
público sem armas, por estas razões nos questionamos e exigimos respostas
claras e objetivas ao seguinte:
- Qual foi o acordo que o Comando Militar firmou com a CEDEAO para a libertação do Presidente da República Interino e o Primeiro-Ministro?
- Qual é o conteúdo do acordo para a transição?
- Como fica a resolução de Dakar de 03.05.2012?
- Qual é o mandato do Presidente da Transição em contexto de um Golpe de Estado, ou seja, em que se baseia o centro do poder de decisão no comando militar e na CEDEAO?
- Qual é o mandato da Assembleia Nacional Popular na transição de um ano, sendo que o seu mandato termina antes do fim deste ano?
- Que instâncias de fiscalização da ação governativa teremos?
- Reforma das Forças Armadas até quando e em que moldes? Qual seria o papel e compromisso da CEDEAO neste processo?
- Quais as bases do Orçamento de Estado para a transição e as suas prioridades e formas de escrutínio?
Porque o Golpe de Estado de 12
de Abril foi e é sobretudo um golpe às eleições e aos direitos dos cidadãos em
se pronunciarem livremente, exigimos um programa da transição regido pelos
seguintes elementos:
- Revisão da lei eleitoral, principalmente no que concerne à:
a.
Realização de recenseamento eleitoral de raiz e
biométrico;
b.
Restruturação do processo da escolha dos
dirigentes da Comissão Nacional das Eleições Independente;
c.
Revisão da Lei de financiamento dos partidos
políticos;
- Revisão da Lei dos Partidos Políticos e da Lei Eleitoral;
E porque como dizia Amílcar
Cabral “a luta do nosso povo é contra
tudo quanto seja contrário à sua liberdade e independência, mas também contra
tudo que seja contrário ao progresso e à sua felicidade”, nós
comprometemo-nos enquanto cidadãos deste país com os seguintes:
1.
- Realizar semanalmente até o fim do período da transição, ações públicas de posicionamento em prol do direito à democracia, manifestação e debate público com vista a romper com a cultura do golpe e do militarismo na sociedade guineense;
2. Convidar
e desafiar os jovens ao nível nacional a mobilizarem-se pacificamente e
promoverem sistematicamente demonstrações do seu repúdio à captura do poder
político, por quem quer que seja, sem ser através de eleições democráticas e o
veredicto do voto popular;
3. Desafiar o comando militar, a levantar a
interdição da manifestação, sem perseguição e garantir a
segurança dos manifestantes
Bissau,
13 de Maio de 2012
A
Coordenação Nacional
Pessoalmente queria enfatizar a necessidade da
ResponderEliminar"realização de recenseamento eleitoral de raiz e biométrico" - como diz o presente manifesto - como forma de evitar que outros votem em nome de quem de direito e de evitar facilidades para renúncias a segundas voltas.
Concordo com este manifesto e gostaria apenas de acrescentar que para se viver em democracia é necessário também que o poder económico (assim como o militar) esteja sujeito ao poder político - sendo o povo que detém este último (diz-se, em democracia) - e que portanto qualquer governo que se diga realmente democrático não se deve submeter ao poder económico mas sim ao poder político, representando-o e salvaguardando-o. Esta parece-me ser também uma condição necessária à democracia.
Desejo a todos muita energia para a conferência de amanhã.
Joana Sousa